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Pb. Geovando » No nosso estudo sobre o Livro do Gênesis
No nosso estudo sobre o Livro do Gênesis, vimos que o que levou os irmãos de José a descerem ao Egito foi o seu procedimento para com Ele. Este fato deve ser considerado sob dois aspectos distintos. Em primeiro lugar podemos ver nele uma lição solene com o procedimento de Israel par com Deus; e em segundo lugar, temos nele uma lição cheia de estímulo no desenrolar dos planos de Deus a favor de Israel.
E, no tocante ao procedimento de Israel para com Deus, poderá haver coisa mais solene do que seguir até ao fim os resultados da maldade que cometeram contra aquele em quem a mente espiritual discerne um símbolo admirável do Senhor Jesus Cristo? Totalmente indiferentes a angústia da SUS alma, os filhos de Jacó entregaram José nas mãos dos incircuncisos, e qual foi o resultado? Desceram ao Egito para aí passarem por aqueles profundas e dolorosas experiências de coração tão gráfica e comovedoramente descritas no capítulos finais do Gênesis. E isto não foi tudo: uma época longa de provação estava reservada aos seus descendentes, no próprio país onde José encontrara um cárcere.
Porem, Deus intervinha em tudo isto, assim como o homem, e dispunha-se a usar das suas prerrogativas, que consiste em fazer com que do mal saia bem. Os irmãos de José puderam vendê-lo aos ismaelitas; os ismaelitas, por sua vez, venderam-no a Potifar; e este o lançou na prisão, mas o Senhor estava, acima de tudo, cumprindo os Seus poderosos desígnios. A cólera do homem redundará em seu louvor (Sl 76:10). Ainda não tinha chagado a altura em que os herdeiros estariam preparados para a herança, nem herança estava preparada para os herdeiros. Os fornos de tijolo iriam construir uma escola severa para os descendentes de Abraão; enquanto que nos montes e vales da terra prometida (Dt 11:11) se acumulava a iniqüidade dos amorreus.
Como Deus Cumpre seus Desígnios
Tudo isto é profundamente interessante e instrutivo. Há rodas giram dentro de outras rodas no mecanismo do governo de Deus (Ez 1:16). O Senhor serve-se duma variedade infinda de agentes para realizar os Seus propósitos inescrutáveis. A mulher de Potifar, o copeiro do rei, os sonhos de Faraó, o cárcere, o trono, as cadeias, o sinete real, a fome, tudo está ao Seu soberano dispor, e tudo serve de instrumento no desenrolar dos Seus prodígios desígnios. A mente espiritual deleita-se em meditar nestas coisas ao percorrer o vasto domínio da criação e da providência e ao reconhecer, em tudo, o mecanismo que o deus Onisciente e Onipotente utiliza para executar os seus propósitos de amor redentor.
É verdade que podemos ver muitos sinais da serpente, pegadas bem definidas do inimigo de Deus e do homem; coisas que não podemos explicar nem compreender; a inocência que sofre e a maldade que prospera podem dar certa aparência de verdade ao raciocínio dos incrédulos e cépticos; podem o verdadeiro crente descansa na certeza de que “O juiz de toda a terra “ fará justiça ( Gn 18:25).
Bendito seja Deus pela consolação e encorajamento que nos dão estas reflexões! Precisamos delas a cada instante, ao atravessarmos este mundo de pecado, onde o inimigo tem feito mal aterrador, no qual os vícios e paixões dos homens produzem frutos tão amargos e onde o caminho do verdadeiro discípulo apresenta escabrosidades tais que a simples natureza jamais poderia suportar. A fé sabe, de certeza, que existe alguém atrás dos bastidores a Quem o mundo não vê nem respeita, e, sabendo-o, pode dizer com serenidade: “tudo vai bem”.
Estes pensamentos são-nos sugeridos pelas palavras no começo deste livro. O meu conselho será firme toda a minha vontade” (Is 46:10), diz o Senhor.
O inimigo pode opor-se, mas Deus há-de estar sempre acima dele; e tudo que precisamos é de um espírito simples e pueril de confiança e descanso nos propósitos divinos. A incredulidade prefere olhar para os esforços que o inimigo faz para neutralizar os planos de Deus sem ter em conta o poder de Deus para lhes dar paz constante. E com Deus que a fé volve os olhos, e assim obtém vitória e goza de apóia sobre as areias movediças das coisas humanas e das influências terrenas, mas sim o que vier, permanece nesse santuário de força.
“Sendo, pois, José falecido, e todos os seus irmãos, e toda aquela geração.” E depois? A morte poderia porventura prejudicar os desígnios do Deus vivo. Certamente que não. Deus aguardava apenas o momento destinado oportuno, e então as influências mais hostis serviram de instrumento no desenrolar dos Seus planos.